Debate sobre liderança feminina aborda representação em espaços políticos, avanços e desafios para mulheres

"Nós temos 15% de mulheres no Congresso, mas só 2% delas são negras, ainda que o número de mulheres negras seja maioria [na população brasileira]".

Com o objetivo de ampliar o debate acerca da pauta sobre liderança feminina no espaço político, a Abrig realizou, no dia 26 de maio, um debate com a participação de importantes referências no tema. O evento foi realizado no Centro Cultural Evandro Lins e Silva, no Conselho Federal da OAB, em Brasília.


A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, destacou que a equidade e a luta feminista começam da porta de casa para dentro. Segundo ela, a gestão familiar é um pilar fundamental para que mais mulheres possam ocupar posições de liderança. A diretora também falou sobre as medidas implantadas no Senado Federal para que a Casa tenha maior equidade de gênero e raça.  Medidas de punição aos casos de assédio, por exemplo, segundo ela, contribuem para a mudança cultural no ambiente político.


A assessora-chefe do Gabinete do Diretor-Geral do TSE, Julianna Sesconetto, apresentou dados sobre a desigualdade de gênero no mercado de trabalho e destacou a maioria masculina em cargos de liderança. Conforme ela, para que essa realidade seja alterada é preciso que a sociedade como um todo seja catalizadora da transformação, "quanto mais mulheres, mais políticas públicas voltadas para mulheres", disse.


Em sua fala, a doutoranda em Sociologia e diretora de Pesquisa da ONG Elas no Poder Nailah Neves abordou os desafios e as desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras e indígenas. Ao fazer uma análise histórica, enfatizou que a representatividade feminina racial ainda é muito inferior se comparada à de mulheres brancas. "Nós temos 15% de mulheres no Congresso, mas só 2% delas são negras, ainda que o número de mulheres negras seja maioria [na população brasileira]", afirmou.


A importância de mais mulheres serem eleitas foi destacada pela advogada eleitoralista e pesquisadora do Observatório de Violência Política contra a Mulher Bianca Gonçalves. “Precisamos fazer o exercício de pesquisar entre as candidatas mulheres quais se alinham com o nosso posicionamento”, disse. A advogada apresentou dados de violência política de gênero, e sobre o atraso do Brasil, que ainda discute cota feminina nos partidos políticos enquanto outros países se debruçam sobre paridade de gênero e percentual de cadeiras no parlamento.


O debate foi uma iniciativa do Comitê Mulher da Abrig em parceria com os coletivos Pretas e Pretos em RelGov e Dicas - Mulheres em RIG, o Instituto Vamos Juntas, A Representativa e a Livraria Circulares. Segundo a mediadora do debate e coordenadora do comitê, Francine Moor, o evento foi preparatório para a 1ª Conferência Internacional de Mulheres em RIG, que será realizada em agosto e tem por objetivo expandir as ações de ampliação da presença feminina na área de defesa de interesses e no ambiente político.

*Os conteúdos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista da Abrig.  

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