Desafios de Davos

O Fórum Econômico de Davos é destino essencial na apresentação de qualquer novo governo para a comunidade internacional, especialmente para países como o Brasil, que buscam investimentos como forma de dinamizar sua economia. Neste ano, em período de recomeço e reconstrução, o país levou governadores como Tarcísio de Freitas e Eduardo Leite, porém os atores principais que marcaram forte presença e deixaram impacto na imagem do Brasil foram os ministros Fernando Haddad e Marina Silva.

Em Davos, o evento que reúne a elite político-econômica internacional, teve como tema deste ano a “Cooperação em um mundo fragmentado”, com vistas a tentar reconstruir colaborações multilaterais num mundo afetado, nos últimos anos, pela pandemia de Covid-19 e pela guerra entre Rússia e Ucrânia, os maiores desafios internacionais da agenda multilateral.


Como o Brasil irá se inserir diante desses desafios, reposicionado e reorientado, era uma das maiores indagações da comunidade internacional, afinal estamos falando de um gigante das commodities no momento que uma guerra afetou os preços também dos alimentos. O ressurgimento do Brasil apara arestas, cria pontes e fornece estabilidade que ajudar as cadeias globais de valor em período de enormes desafios.


Por isso, a presença daqueles que são os dois maiores cartões de visitas internacionais do novo governo foram fundamentais, afinal, os investidores querem saber os rumos que serão trilhados pelo Brasil em termos econômicos, sociais e ambientais, uma vez que isso é essencial para orientar suas políticas de financiamento externo. Um deles foi o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que apresentou planos e projetos do governo que se inicia.


O grande trunfo, entretanto, foi a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a brasileira mais respeitada em âmbito internacional, alguém que desfruta de um raro reconhecimento internacional e que pode trazer muitos benefícios para o país. Sua simples presença em Davos já fez enorme diferença, porém, carregando um pacote de medidas que recolocam o Brasil em seu devido lugar na esfera ambiental, ajudou a atrair investimentos e confiança do país no exterior.


O Brasil abriu a oportunidade de virar o jogo a seu favor, abandonando o passado e fazendo as pazes com o mundo, especialmente em um momento em que novas oportunidades surgem, como cibersegurança, inteligência artificial e Metaverso, além de educação e capacitação para o trabalho. Há um mundo novo a ser desbravado e essa realidade começou a ser desenhada nas discussões em Davos.


Investidores são atores conservadores. São prudentes, ponderados e cautelosos. Prezam pela democracia porque ela fornece estabilidade institucional e equilíbrio político.  Esse foi o caminho que o Brasil apresentou em Davos. Mostrou garantias de confiabilidade no processo democrático e nas instituições, uma retomada da agenda ambiental e caminhos econômicos estáveis, com previsibilidade, convidando as cadeias globais de valor a voltarem seus olhos para o Brasil. Depois de Davos, chegou o momento de transformar os desafios em oportunidades.


Por: Márcio Coimbra, vice-presidente da Abrig, presidente do Conselho da Fundação da Liberdade Econômica e coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília. Cientista político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.


*Os conteúdos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista da Abrig.  


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